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20
Fevereiro

A FOTO DA COLEÇÃO – 2

A foto que aparece em primeiro plano pertence a uma familia de vagões tanque de extrema beleza para aqueles que apreciam a Engenharia Ferroviária.

Este tanque pertenceu à empresa Standard Brands of Brazil, atual Fleishmann Royal, e transportava melaço de cana de açucar das regiões de Campos-RJ até Petropolis-RJ, onde este produto era usado na confecção de vários produtos alimentícios. Época de ouro da minha querida Estrada de Ferro Leopoldina.

Estes vagões circularam até 1963 quando as linhas da EFL foram arrancadas de Petropolis, deixando a cidade e a fábrica que ela abastecida na mãos dos já conhecidos interesses que mantém o Brasil onde está até hoje.

20
Fevereiro

ENGATES CONTRA ENGAVETAMENTO

Com o aumento e peso dos trens modernos, muitos aspectos que anteriormente não tinham tanta importância, agora são críticos para uma operação segura e produtiva. Acidente na ferrovia é um assunto extremamente complexo pois os danos gerados causam prejuízos imensos. Quando temos perdas de transporte os seguros podem ajudar a cobrir as despesas, embora a imagem da ferrovia ser um transporte seguro e de grandes volumes fique comprometida. O grande e real problema se dá quando há perdas de vidas humanas, evacuação de cidades por perigo de nuvens tóxicas ou contaminação de fontes de abastecimento. Isto não pode ser pago!!!

Porém, o mundo segue crescendo e suas necessidades de consumo também. As indústrias têm planos e projetos de melhores resultados e todas estas diretrizes conduzem ao custo do transporte, ou seja, ferrovias. O Brasil ,como ponto fora da curva, prossegue insistindo que as rodovias são a resposta e por isso vai ficando cada vez mais à mercê de interesses politicos sem planos para o país e sim somente para partidos politicos.

Voltando aos trens e sua vocação de movimentar grandes volumes, os estudiosos e estatísticos começaram a ver que muitos dos acidentes que ocorriam com trens de vagões tanques eram devastadores devido ao engavetamento que ocorria quando um bloco de vagões saía dos trilhos e outros blocos se chocavam contra ele. Os engates automáticos convencionais se deslocavam no sentido vertical e perdiam o contato, indo muitas vezes romper a calota do tanque imediatamente a sua frente.

Acidente tanques 1                    Acidente tanques 2

Nas fotos acima, podemos ver um exemplo de descarrilamento ocorrido aqui no Brasil por quebra de trilho e que causou o engavetamento de dois vagões tanques TCD e o consequente vazamento de 60.000 litros de óleo diesel, que atingiram um pequeno córrego próximo da via causando sua contaminação.

Especificamente na segunda foto podemos ver o engate do vagão que causou a perfuração ainda preso à calota do tanque que vazou, lembrando que os danos poderiam ter sido muito maiores caso tivessemos tido uma explosão com consequências imprevisíveis. O produto branco que aparece na foto é um composto químico que se torna vedante ao contato com o óleo diesel.

Para este tipo de acidente, foi então criado o engate cujo nome original é Double Shelf, ou seja, engate com dupla proteção contra engavetamentos. Este tipo de engate é igual ao convencional e se diferencia por possuir complementos superior e inferior que não permitem que ele se solte do engate ao qual esteja acoplado, indo perfurar o tanque da frente.

Engate Double-shelf                            ENGATE-SE60-3

 

Nas figuras podemos ver claramente os reforços e a proteção adicional de dois engates deste tipo quando acoplados.

Os engates Double Shelf podem ser aplicados a qualquer projeto de vagão tanque, sendo hoje uma obrigatoriedade em todas as ferrovias que seguem os padrão da Association of American Railroads-AAR, como ocorre aqui no Brasil, embora muitos dos ferroviários considerem que eles são realmente bons quando a questão é o engavetamento mas que falham quando se passa a discutir o tombamento. A principal alegação dos que não gostam tanto dos Double Shelf é que caso um vagão descarrile e tombe ele acaba por tombar o tanque a ele engatado e assim sucessivamente, pela dificuldade deles se soltarem.

Consultando amigos que participam das reuniões dos Comitês de Normalização da AAR nos EUA, eles alegam que tal preocupação também fez parte das discussões quando da criação deste modelo mas que analisando todas as possibilidades de desastre ambiental e risco de vida a todos que convivem com os trens, a decisão foi por minimizar os efeitos do acidente, deixando que se necessario os tanques tombem mas que não furem, ocasionando o derrame de produto ou explodam.

Todas as ferrovias no Brasil já são obrigadas a usar os Double Shelf por força de legislação e normalização ABNT.