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Últimas notícias em ferrovias

06
junho
2015

A FOTO DA COLEÇÃO -1

 

Vagão Hopper Tanque da ferrovia Kansas City Southern-USA, projeto para 130 t de peso bruto máximo sobre a via, transporte de grãos.

Estes vagões apresentam grandes desenvolvimentos em termos de volume e definição estrutural por sua forma arredondada, a qual também facilita o escoamento de alguns produtos que tendem a ficar compactados durante as viagens, como o açúcar ou matérias primas para fertilizantes, por exemplo.

Seguem às tendências de baixo peso e alta lotação para a otimização do transporte de produtos a granel.

 

22
Maio
2015

A RODA FERROVIÁRIA – 1

A roda desde os primórdios da humanidade mudou completamente a maneira pela a qual o ser humano se relacionou com seu trabalho. Ela passou a ser usada como uma forma rápida e eficiente de movimentar-se e movimentar cargas.

Na área ferroviária não podia ser diferente!! A roda ferroviária inicialmente foi usada nas minas de carvão da Inglaterra quando o transporte por trilhos nascia. Era início dos anos 1800 e a então presente Revolução Industrial fazia com que o rústico veículo ferroviário tracionado por cavalos sobre trilhos, necessitasse ser incrementado. Crescia o fenômeno da Máquina a Vapor e com ela a força suficiente para justificar que os veículos abandonassem a tração animal e fossem engatados uns aos outros. Enorme e bendito progresso trazido pela Ferrovia !!

Muito bem, concluído este aspecto histórico sempre importante para o entendimento do tema, passemos então a estudar como foi concebida e vem sendo usada a Roda Ferroviária. Estaremos apresentando o tema em etapas sendo esta a primeira delas (Roda Ferroviária-1).

Vamos refletir um pouco !!! Para que os veículos pudessem ser engatados entre si e tracionados sobre trilhos, havia que se resolver a forma como estes permaneceriam sobre a via e se inscreveriam principalmente nas curvas horizontais. No início, as rodas eram de perfil cilíndrico com flanges introduzidas como um guia de direção. Mas a “estonteante” velocidade de cerca de 15 km/h começou a mostrar que o projeto das rodas deveria ser estudado para que não ocorressem descarrilamentos e também para reduzir o nível muito alto de desgaste nas pistas e flanges.

Rodas Antigas

                                                                              Rodas Ferroviárias de Aro Montado

Olhando estas imagens vemos exemplos de rodas ferroviárias antigas. Tais rodas tinham projeto tipo Aro Montado, o que significa que se podia substituir os aros externos e manter os centros sempre presos aos eixos. Esta fixações eram de vários tipos diferentes, sendo montadas por aquecimento quando se fazia o aro dilatar com a aplicação de chama direta, montado-se então a peça aquecida no centro permanente da roda e esta ao esfriar travava por pressão. Os aros também podiam ser presos por componentes mecânicos como pinos, chavetas, etc. A solução de aros montados por pressão era também usado nas rodas das locomotivas a vapor em função destas possuirem diâmetros maiores e variáveis com o tipo de service que elas prestavam. Rodas para locomotivas de trens de passageiros possuiam grande diâmetro para gerarem velocidade enquanto que as rodas das locomotivas cargueiras eram menores para gerarem força.

Mesmo usando o aro preso a um centro permanente, restava a questão de como manter os veículos engatados em estabilidade suficiente para uma segura inscrição. Surgiu então a brilhante ideia da inclinação das pistas de rolamento. Vejam que ideia realmente fantástica esta de se inclinar as pistas das rodas. Para facilitar o entendimento e o motive desta iniciativa, busquemos analisar a figura logo abaixo:

 

Di cone ferroviario

Figura geométrica que motivou a inclinação das pistas das rodas ferroviárias

É fácil observar que esta figura geométrica que nos lembra dois cones presos por suas bases, quando posta a circular sobre dois trilhos quaisquer, sempre irá buscar sua centralização pois seu grande peso ou centro de gravidade estará no seu centro geométrico. Mesmo que a figura oscile para a direita ou esquerda, ela voltará sempre para o centro, equlibrando suas forças em relação ao centro da via onde circule.

Esta foi a ideia básica da inclinação, ou seja, estando as pistas das rodas inclinadas em determnada proporção, quando os veículos ferroviários estiverem engatados eles buscarão sempre o centro da linha o que os tornará muito estáveis e em condições de se inscreverem com segurança nas curvas.

Vamos então olhar esta figura geométrica com olhos ferroviários e visualizar os rodeiros (par de rodas montadas em um eixo) para ver que o princípio se aplica plenamente. Cada veículo, seja locomotiva, vagão ou carro terá a mesma tendência de equilíbrio, o qual somente começará a ser reduzido com o desgaste das pistas das rodas pelo contato constante com os trilhos. Neste desgaste, com a perda de inclinação, os veículos reduzirão sua capacidade de inscrição, fazendo com as flanges das rodas ataquem mais os trilhos, criando um círculo vicioso extremamente prejudicial. As ferrovias possuem planos de manutenção que identificam e separam os rodeiros com desgastes nas rodas para que tenham as rodas usinadas para que estas recuperem seu perfil de rolamento.

 

Rodeiro A

Figura do rodeiro ferroviário

 

25
Abril
2015

Precisamos de Engenheiros Ferroviários

Ontém, por questões de trabalho, estive em Curitiba na sede da nova Rumo-ALL. Inicia-se um novo período para aquela ferrovia e com ele oportunidades de negócios. Durante esta visita, tive a satisfação de estar reunido com meu antigo e querido amigo Luiz Henrique Hungria, ou apenas Hungria, como ele mesmo gosta de ser chamado. Conheço o Hungria há mais de 30 anos quando ambos, ainda jovens, trazíamos no olhar toda a vontade de ver a ferrovia crescer e estar em um cenário de importância na matriz de transporte do Brasil o qual de certa forma nós dois nos tornamos um pouco descrentes. Tantas lutas e esperanças derrubadas por questões políticas que ainda prejudicam nossa evolução!!

Durante o almoço que tivemos, estávamos conversando sobre a continuidade do conhecimento técnico ferroviário tão difícil de ser obtido já que “convenientemente” esquecemos nossas ferrovias no final dos anos 50, trocando-a por um punhado de faixas de asfalto que renderam muito dinheiro e votos. Ainda rendem…….

Hungria tem o sonho de ter um livro publicado sobre a técnica da operação ferroviária de forma real e totalmente baseada na física e com demonstrações matemáticas de como um trem realmente se comporta no campo. Um trabalho excelente!!! De minha parte compartilho o mesmo sonho, embora ele já comece a se materializer por meio deste site.

Ver um trem com olhos técnicos é uma raridade já que aqui nos acostumamos a vê-lo apenas nas TVs como coisa romântica e ligada ao passado. Um trem, como hoje necessitamos dele, é muito mais que isso. Dinâmica, cinemática, estabilidade, são palavras que precisam ter ressonância nos ouvidos dos jovens engenheiros ferroviários. Não somente gerenciamento, faturamento ou metas…

Cabe ás nossas Universidades o papel de criar e manter cursos de graduação que tenham a Engenharia Ferroviária como opção regular para os jovens engenheiros brasileiros. Sei de muitos que gostariam de seguir este caminho mas desconhecem como faze-lo ou mesmo como estudar e se preparar, já que não há qualquer literatura nacional e mesmo a estrangeira que é limitada está pouco acessível.

As ferrovias e a indústria nacional igualmente se ressentem desta mão de obra tão carente e necessária, tendo que formá-la internamente por longos anos e à custa de muita vontade. Acordemos para esta necessidade e procuremos deixar de lado um pouco do nosso jeito de muito falar, prometer e pouco fazer pela educação no Brasil.

Nossas Ferrovias merecem !!!  Nosso País merece !!!